Friday, May 11, 2012

O Homem Vem Aí


Em homenagem às matas brasileiras - sua fauna e flora tão únicas - vou postando o que os compositores que tanto admiro me ensinaram a amar. Ary, Jobim, Chico, Villa Lobos, Milton Nascimento e outros tantos que imortalizaram nossas belezas naturais em suas composições. Lembro-me, quando pequena, como eu gostava de ouvir essas canções e me imaginar nestes ambientes de flores e folhas e bichos. Acho que foi pelo impacto destas músicas em minha vida que tanto respeito a natureza. 
Eu cresci com a ditadura estragando as escolas e o sentimento de patriotismo em nós - meus primeiros anos de escola foram no ensino público. Lembro-me da polícia militar nos páteos da escola e me recordo termos que hastear bandeira e cantar os hinos todos (o nacional, o da liberdade, o da bandeira...) - não entendia o que diziam, mas achava que o nacional era uma homenagem à natureza (...nossos bosques, têm mais vida...) e ao meu irmão (dos filhos deste solo és mãe gentil, pátria amada, Brasil - achava que o adjetivo gentil se referia ao meu irmão de nome Gentil!!!). A história do Brasil era "contada" para nos fazer acreditar que os índios eram preguiçosos e que por isso tínhamos que ter escravos - mas eu pensava que os portugueses é que eram preguiçosos e tentavam escravizar os índios e os negros... eram eles que não queriam trabalhar! Na minha cabeça de criança eu me sentia confusa com esses conceitos de superioridade e a insistência do progresso a qualquer preço e um hino que exaltava o que a gente tinha de mais valioso: nossas matas (e a transamazônica rasgando tudo e colocando uma trilha de barro no meio do verde...)! E eu ouvia as canções de Caymmi, Jobim, Ary Barroso que me contavam sobre pássaros e animais com nomes de um Brasil antes de Cabral. Foi quando fui para a escola particular em 1976 que entendi as mentiras da história do Brasil e o regime militar que controlava o ensino público e aterrorizava as crianças com seus policiais armados no recreio!
 Mas, o principal nesse amor pela natureza que foi sendo infundido em mim através destas composições e também através da minha família, é que eu descobri que, em todas as ocasiões que me encontro em ambientes florestais e naturais, eu também encontro uma paz enorme! 

Minha família - especialmente minha tia Cida - ama a natureza e os fenômenos naturais. Minha tia é do tipo que acorda bem cedo para ver geada, eclipse, ou simplesmente o nascer do sol. Ela me ensinou o valor destes momentos, a riqueza e a grande oportunidade que nos é oferecida diariamente por podermos observar estes espetáculos naturais. Um privilégio de fato podermos estar em contato com bichos e plantas em estado de admiração e respeito.
Meus pais nos ofereceram férias incríveis - fomos à Serra da Bocaina em meados dos anos 70, quando não havia eletricidade e era tudo rústico - só a subida na serra com nossos fuscas foi uma aventura! Na serra fiz minha primeira grande caminhada (ou hike) de várias horas até o Pico do Tira Chapéu - do alto do Pico, em dia claro, podia-se ver Paraty. Vi ninhos com passarinhos recém chocados, ouvia onça na mata, rãs que emitiam sons esquisitos, mas que embalavam a noite, comi fruta silvestre, nadei em cachoeira de água gelada... Em todas as nossas férias, existia esse fator de intimidade com a natureza - e as cavalgadas, é claro! E sei que muitas outras famílias faziam o mesmo. De fato, até hoje, as férias familiares ou viagens que fazemos, é sempre em busca desse retorno ao natural - um descanso da vida na cidade. Eu mesma tento oferecer o mesmo para as minhas filhas - esse encontro sagrado e revelador que é estar em contato íntimo com a natureza - um estar tão à vontade que os pássaros vêm exibir suas cores, os bichos perdem um pouco sua timidez e precaução e se mostram uns tantos segundos - e os sons enchem o ar numa balada que me remete de volta aos momentos de minha infância.
Mas se o desmatamento continua... o que será do nosso futuro natural?
Eu sei que esta é apenas minha opinião e que a minha opinião não tem tanta importância e impacto assim isolada. Mas é uma opinião que vai se juntando a tantas outras opiniões e, nesse mundo de redes sociais, as opiniões que vão se juntando, tomam força e têm sim importância e impacto!





2 comments:

  1. Adorei, Paulinha. Muita sensibilidae de sua parte como sempre. Beijos
    Wania

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