Friday, September 23, 2011

A Guerra da Cama





Eu brigo com a minha cama todas as noites
Ora com frio, ora com calor
Eu chuto as cobertas
Ou me enrolo nelas
Noite sem descanso
Mal dormida
Os sonhos esbarram em mim - de leve
Para me avisar que eu estou cansada
Então a minha bexiga me avisa
Que eu estou envelhecendo
E eu danço valsas
Levantando e voltando para a cama
A noite toda…

As pernas exigem que eu me mova
O corpo busca espaços mais frios nos lençóis
Frescos e ainda inéditos
Barulhos repentinos me acordam
Mas eu já nem sei mais dizer se eram uma idéia de sono
E pertenciam a um projeto de sonho fora de lugar
Ou um ruído que insiste em me acordar

Eu sobrevivo essa batalha todas as noites
E sigo inconstante
O resto do dia

Thursday, September 15, 2011

A Árvore




Observo a árvore:
tronco grosso - robustez
folhas verdes na copa
um punhado de parasitas
que lhe roubam o verdadeiro verde.
Ninhos? Poucos...
Sulcos no tronco desenham um mapa -
mapa  da terra de um povo.
Uma resina vermelha escorre -
não é sangue
Embora sangue soasse mais heróico.
… seiva - escapando - fora de controle
Desperdício...
E dentro da árvore,
um abominável cupim.

Saturday, September 10, 2011




Nessa sombra de casa
Os vultos percorrem os cantos
Cada qual com seu manto
Pra escurecer o dia.

Espiam pelas frestas
das janelas entreabertas.
Encarapuçados - carrascos de almas
De prontidão para nos levar

Desfazem fechaduras
Infiltram-se no piso
Empesteando cada vão
entre os tacos levantados

Umedecem as paredes
Exalando um hålito frio

Por fim, acomodam-se em nossas camas
e dormem um sono
sem hora de ir embora.

Friday, September 2, 2011




A torneira se abriu
Numa enxurrada de palavras e idéias
Inundou a alma
Que rangia enferrujada num vazio de inspiração.
Difícil controlar o fluxo
A corrente tem vontade própria
Vai solta, sem precaução – 
É melhor seguir o natural.
Os respingos refrescam
Mas o arranhar das pedras 
Ferem meu chão
A queda é conseqüência – 
O clímax da minha navegação
Sem controle – sem bússola ou leme
Sigo à deriva dessa torrente
Hei de alcançar o vale
Que expande-se em minha mente.

Tuesday, August 30, 2011

duna




Construí um mundo
fundado em areia
Pilares frágeis
que as ondas abalam
e o vento esfarela
não dá apoio ao passo
e sigo tombando - meio fraca, meio zonza
chão do desequilíbrio
martírio da caminhada
Mas é um mundo em constante transformação
reinterpretado pelos humores da natureza
o vento dá dunas - modifica o terreno
geografia da inconstância
O dorso da duna - um fio
cadência no passo
como no trote da mula
rítmo e desaconchego.
Nesse mundo movediço me instalei
Faço do atrito minha morada

Saturday, August 27, 2011

A Ponte





A ponte que a menina atravessa
É cheia de armadilhas
Promete um mundo do lado de lá -
Um mundo além da margem da vida.
É uma arapuca
Uma ilusão
A ponte não leva 
Nem traz
Melhor seria seguir o rio
Esse rio que sempre tem
um curso que se renova
O rio lava e leva
pra longe
os dejetos
Traz a nova possibilidade
um trajeto caudaloso 
sem monotonia
Na carona das chuvas
No descanso das secas
Deixando as pontes pra trás
Fazendo da menina
o leito onde descansa
as águas novas.

Tuesday, August 23, 2011

the shrinking journey: Rendas

the shrinking journey: Rendas: Sou mulher rendeira

Não a das canções populares

Nem a que senta com bilros nas calçadas quentes do nor...