emagrecer, viver, espiritualizar-se, maternidade, filhas, mães, saudades, distâncias, amizades... caminhos
Thursday, June 16, 2011
Ciranda Moderna
Roda, roda, roda
Até ficar tonta
Até ver o mundo girar
Até o chão ficar confuso
até os olhos não poderem mais olhar
Roda, roda, roda
Até o céu mudar de lugar
e o mundo ficar de cabeça prá baixo
e eu não poder mais caminhar
Roda, roda, roda
até a terra parar
e as nuvens passarem apressadas
e tudo ao redor se espalhar
até o mundo ficar tão grande
pra tudo caber
sem diferenças
de credo,
de raça
de gênero
de escolha
pois tudo vai rodando
na roda que a gente canta
no enrêdo que a gente inventa
na saia da nossa vida
No balaio do nosso sonhar
Roda, roda, roda
até a gente se reencontrar
e rir meio gago
e tonto
e sonso
e a nossa amizade
reinventar
Roda,
Roda
Roda
Thursday, April 28, 2011
Jazigo Nupcial
A viúva é o revez da noiva
Veste-se de negro ao invés de branco
Carrega a dor, não lhe sobra graça
No lugar do sorriso, o pranto.
Entra sem dignidade - cabeça baixa
Já cheia de filhos -
beija o corpo inerte do marido ausente
Um momento gélido
As flores já vão doentes...
E os presentes lhe abraçam tristes
tentando oferecer consolo
Todos a querem bem,
mas não sabem a dor do abandono
e temem o constrangimento do encontro.
A viúva é o reverso da noiva
Não há buquê, não há valsa
O cortejo segue solene
A viúva retrata a desgraça...
Aquele que um dia foi seu noivo
jaz calado, num leito onde não cabem abraços -
os olhos fechados
para a viúva que veste o pálido.
Veste-se de negro ao invés de branco
Carrega a dor, não lhe sobra graça
No lugar do sorriso, o pranto.
Entra sem dignidade - cabeça baixa
Já cheia de filhos -
beija o corpo inerte do marido ausente
Um momento gélido
As flores já vão doentes...
E os presentes lhe abraçam tristes
tentando oferecer consolo
Todos a querem bem,
mas não sabem a dor do abandono
e temem o constrangimento do encontro.
A viúva é o reverso da noiva
Não há buquê, não há valsa
O cortejo segue solene
A viúva retrata a desgraça...
Aquele que um dia foi seu noivo
jaz calado, num leito onde não cabem abraços -
os olhos fechados
para a viúva que veste o pálido.
Sunday, April 24, 2011
Anedota de Pássaro
Os pássaros vivem na teimosia
de animar os quintais
atiçam gatos e põem loucos os animais
vão colorindo jardins
em vôos coreografados de ar
são furtivos - às vezes mal humorados
quando cismam em atacar
as minhocas, besouros, larvas
que só seus olhos vêem
nos aconchegos das sombras e das plantas
no escondido da terra
do alto do galho eles espreitam e esperam
corações palpitando de vontade
e já satisfeitos de lautos banquetes -
vão pousar no fio do poste - esperando a digestão
e assim, nos carros defecar!
Friday, March 25, 2011
os deuses das grutas - ou um deus escondido
A experiência na caverna é espiritual, mísitca – testemunho de uma graça da natureza, ou talvez um conto de mistérios…
É como caminhar pelas entranhas de um Deus – a garganta petrificada, os intestinos retorcendo em estalagtites e estalagmites querendo se encontrar – Romeus e Julietas subterrâneos!
Os ácidos do êstomago vertendo em cálculos milenares – o cérebro brilhante – de belo!
E dentes, muitos dentes ferozes – o avesso do Deus que mostra o gêmeo monstro que, na verdade, está ali para proteger a reentrância.
A escuridão domina os olhos – os sons são guturais. E há santos, muitos santos empilhados por todas as partes – ou monges, gurus, sábios, mestres, profetas, anjos… todos estagnados para o dia – mas ativos à noite (pois sempre é noite nesse reino mineral), quando crescem e se movem invisíveis por muitos anos.
A caverna convida para essa aventura do escuro, do petrificado, do sagrado que a gente nem conhece. Suas riquezas são pintadas de tempo e ausência de luz – é a cor do que há de ser quando alguém escorregar por sua longa garganta e mergulhar no que a caverna conduz…
Thursday, March 10, 2011
varal
A roupa esticada no varal
Escorre o encardido da semana
Tudo pendurado: a meia, a calcinha, o soutien, o vestido
O vestido carmim - desmilinguido
Eu, nua, pendurada
Me secando
E quanto mais me seco,
Mais escorro
Mais me escorrem - pelas pernas, pelos braços, pelo rosto -
Os anos
E fico reluzente
Brilhante
De cândida
Com a poça das épocas sob os meus pés
Escorre o encardido da semana
Tudo pendurado: a meia, a calcinha, o soutien, o vestido
O vestido carmim - desmilinguido
Eu, nua, pendurada
Me secando
E quanto mais me seco,
Mais escorro
Mais me escorrem - pelas pernas, pelos braços, pelo rosto -
Os anos
E fico reluzente
Brilhante
De cândida
Com a poça das épocas sob os meus pés
Thursday, September 2, 2010
Nesse Tempo
Eu acredito que há um momento em que a gente deve trabalhar com as mãos.
Trabalho físico – quando a mente pede trégua – momento de ser força bruta e moldar a massa.
Carregar os baldes d’água escada acima e lavar o chão.
Momento de limpar os cantos, de cultivar a horta.
Pegar as ferramentas e tornear a madeira.
E assim lapidar o pensamento – para entrar depois no momento mental – momento em que o corpo pede descanso já exausto da enxada.
E nesse momento da mente, recriar o que existe.
Reaproveitar as sobras e transformá-las.
Tempo de lápis e papel – para deixar as idéias fluirem soltas.
O tempo físico é um tempo da Terra – um tempo de arregaçar as mangas e cuidar dessa Terra.
O tempo mental é um tempo Cósmico em que as energias divinas nos inspiram.
Tudo num ciclo harmonioso
Sem brigar com o tempo e sim brincar, andar com ele.
Para que os extremos – Terra e Céu – possam conviver sempre em colaboração.
Subscribe to:
Posts (Atom)




