emagrecer, viver, espiritualizar-se, maternidade, filhas, mães, saudades, distâncias, amizades... caminhos
Sunday, April 24, 2011
Friday, March 25, 2011
os deuses das grutas - ou um deus escondido
A experiência na caverna é espiritual, mísitca – testemunho de uma graça da natureza, ou talvez um conto de mistérios…
É como caminhar pelas entranhas de um Deus – a garganta petrificada, os intestinos retorcendo em estalagtites e estalagmites querendo se encontrar – Romeus e Julietas subterrâneos!
Os ácidos do êstomago vertendo em cálculos milenares – o cérebro brilhante – de belo!
E dentes, muitos dentes ferozes – o avesso do Deus que mostra o gêmeo monstro que, na verdade, está ali para proteger a reentrância.
A escuridão domina os olhos – os sons são guturais. E há santos, muitos santos empilhados por todas as partes – ou monges, gurus, sábios, mestres, profetas, anjos… todos estagnados para o dia – mas ativos à noite (pois sempre é noite nesse reino mineral), quando crescem e se movem invisíveis por muitos anos.
A caverna convida para essa aventura do escuro, do petrificado, do sagrado que a gente nem conhece. Suas riquezas são pintadas de tempo e ausência de luz – é a cor do que há de ser quando alguém escorregar por sua longa garganta e mergulhar no que a caverna conduz…
Thursday, March 10, 2011
varal
A roupa esticada no varal
Escorre o encardido da semana
Tudo pendurado: a meia, a calcinha, o soutien, o vestido
O vestido carmim - desmilinguido
Eu, nua, pendurada
Me secando
E quanto mais me seco,
Mais escorro
Mais me escorrem - pelas pernas, pelos braços, pelo rosto -
Os anos
E fico reluzente
Brilhante
De cândida
Com a poça das épocas sob os meus pés
Escorre o encardido da semana
Tudo pendurado: a meia, a calcinha, o soutien, o vestido
O vestido carmim - desmilinguido
Eu, nua, pendurada
Me secando
E quanto mais me seco,
Mais escorro
Mais me escorrem - pelas pernas, pelos braços, pelo rosto -
Os anos
E fico reluzente
Brilhante
De cândida
Com a poça das épocas sob os meus pés
Thursday, September 2, 2010
Nesse Tempo
Eu acredito que há um momento em que a gente deve trabalhar com as mãos.
Trabalho físico – quando a mente pede trégua – momento de ser força bruta e moldar a massa.
Carregar os baldes d’água escada acima e lavar o chão.
Momento de limpar os cantos, de cultivar a horta.
Pegar as ferramentas e tornear a madeira.
E assim lapidar o pensamento – para entrar depois no momento mental – momento em que o corpo pede descanso já exausto da enxada.
E nesse momento da mente, recriar o que existe.
Reaproveitar as sobras e transformá-las.
Tempo de lápis e papel – para deixar as idéias fluirem soltas.
O tempo físico é um tempo da Terra – um tempo de arregaçar as mangas e cuidar dessa Terra.
O tempo mental é um tempo Cósmico em que as energias divinas nos inspiram.
Tudo num ciclo harmonioso
Sem brigar com o tempo e sim brincar, andar com ele.
Para que os extremos – Terra e Céu – possam conviver sempre em colaboração.
Saturday, June 5, 2010
A Primeira Vez
Tem sempre a primeira vez para as experiências ou as percepções que a gente tem no decorrer do nosso tempo aqui. E a primeira vez é sempre a que deixa um cheiro, um gosto, uma idéia que vai nos acompanhar pro resto da vida. Essa é uma tentativa de apresentar as minhas primeiras vezes – um pouco censuradas e editadas – e as primeiras vezes de quem quiser deixar tal testemunho aqui. Claro que algumas das primeiras vezes aconteceram há tantos anos que tomei a liberdade poética de criar uma versão aproximada ao fato, ao que a memória permite.
Começo com a primeira vez que voei. Era um domingo comum, sem nada para fazer e, bastante raro na minha família, a casa estava deserta – só nós, os 3 caçulas com os pais... os 3 mais velhos estavam numa festa para o fim de semana num sítio de amigos e os 3 do meio estavam participando de alguma atividade esportiva no clube. Meu pai, que geralmente estaria no clube jogando o seu pseudo vôlei, estava em casa e resolveu nos levar para um passeio especial e bem paulistano. Nos enfiamos no carro (que não lembro bem qual era o carro da época do ocorrido e que, de fato, não faz a menor diferença) e seguimos para nada mais nada menos do que Interlagos – na Represa de Guarapiranga (que para os paulistanos menos sofisticados, trata-se do Balneário).
Acho que era início de verão, pois o sol estava de rachar – passeamos pela “orla” – nada para se fazer – o balneário estava cheio de seus típicos visitantes: a turma da Kombi e do picnic – famílias se torrando no sol, comendo o franguinho com farofa trazido no isopor, a cerveja quente, uma porção de meninos chamados Kleber (ou Creber), mulheres empapadas com seus cães pequinês na coleira, lixo e chinelos perdidos. Meu pai foi o primeiro a perceber que o passeio fora um engano – o que fazer na represa sem maiô, chinelo (perdido ou não), frango ou que quer que seja num dia de calor como aquele? Acho que a última vez que meus pais tinham ido à represa foi antes de se casarem – e se essa história se passa em meados de 70, então fazia pelos menos quase 20 anos que eles não punham os pés nas águas da Guarapiranga.
Estávamos já prontos para irmos embora quando meu pai avistou o aviãozinho que sobreava a represa e pousava na água! Ah, que oportunidade! Corre entrar na fila e garantir um vôo. Minha mãe não se interessou e resolveu esperar na tenda que vendia sucos e pastéis – então seguimos eu, meu pai, Celina e Sylvio para nossa aventura aérea! Nem acreditava que eu finalmente ia voar num avião – coisa sofisticada!
A fila até que não demorou muito – ou pelomenos foi a impressão da minha mente de criança que se distraía ao ver o aviãzinho decolar e pousar na água – nós 3 fascinados com a maquininha. Quando nos demos conta, já era a nossa vez e... mas espera aí: e mais essa outra família atrás de nós? E onde vai caber todo mundo num aviãzinho tão pequenininho que mais parece um KarmanGhia???? O piloto foi logo coordenando o embarque: eu, Sylvio e meu pai na frente com ele; Celina e a família invasora, atrás. Eu e Sylvio dividimos o mesmo cinto de segurança – e tivemos que sentar no meio, ou seja, a viagem panorâmica era só para o piloto e quem estivesse nas janelinhas... tudo bem, pelo menos eu ia voar. Respira fundo, Paula, o avião está prestes a decol.... o que? Já acabou? Já voamos???? Por muitos anos, eu achei que voar era como andar de carro sem pegar a janela – até que eu tive o meu segundo vôo, que foi a minha primeira viagem de avião, quando eu já tinha 16 anos! Mas esse é assunto para outra história.
Thursday, April 22, 2010
Pequenas Considerações Noturnas
Ontem eu pensei que era tarde.
Achei que estava atrasada.
Hoje parece que ontem foi cedo.
E amanhã tarde demais.
Enquanto isso, vejo crescer com resolução
um fio de cabelo branco
no meio da minha cabeça.
Sunday, April 18, 2010
O que eu vou ser quando crescer
Quando eu era pequena (pequena de altura ainda sou) - por volta dos meus 7 anos - eu me lembro de brincar de 4 coisas: secretária, professora, veterinária e cantora (ou artista).
Como secretária, eu sentava no banquinho do bar e enrolava um papel - e datilografava! O barulho do papel enrolado, quando dedilhado pela minúscula mão, era igual ao de uma máquina de escrever. Eu carregava uma bolsa velha da minhã mãe e enchia de quinquilharias... e tinha também o telefone velho e toda uma parafernália de objetos que representavam os objetos de um escritório.
Como professora, eu não era a professora tão linda (como a Dna. Maria Elizabeth que tinha os olhos verdes ardidos e era muito brava), mas a professora legal, bonitinha e simples, como a Dna. Rute. Eu colocava o cabelo no coque e ensinava coisas interessantes sobre o mundo para os meus alunos imaginários e sempre bem comportados.
Como veterinária, eu levava minha cachorra para passear ou passava remédio nos bichos da casa - tinha o meu consultório na varanda da frente da casa e conversava muito com os animais - acho que eu tinha um complexo de São Francisco!
Mas como cantora - ou artista - era como eu mais me expressava! Dançava fazia entrevista com as paredes, inventava novelas, cantava, cantava, cantava!
Na minha vida de gente grande, eu experimentei um pouquinho de tudo: fui professora, demi cantora, pseudo veterinária e secretária. Hoje eu trabalho como "operária moderna" - trabalho de escritório num banco americano onde as funções são bastante segmentadas e, embora seja uma prestação de serviços, é identificado como produção. Já faço isso há mais de 10 anos e não gosto nem um pouco, mas como sou imigrante, aceito o que vem em minha direção e agradeço. Mas de uns tempos para cá, por causa da economia, comecei a pensar que preciso voltar ao que a minha sabedoria inconsciente de criança me dizia - fazer algo onde eu tenha mais controle de quem sou e para onde vou! Por conta disso, desse sentimento de mudança que por vezes nos assola, comecei a pesquisar a possibilidade de voltar à educação - e, como tudo que a gente busca acaba se abrindo em caminhos, tenho até uma escola interessada em mim!
Agora tenho que transcrever os meus créditos da faculdade para ver como posso obter o certificado!
Quem sabe eu até saia cantando!?
Como secretária, eu sentava no banquinho do bar e enrolava um papel - e datilografava! O barulho do papel enrolado, quando dedilhado pela minúscula mão, era igual ao de uma máquina de escrever. Eu carregava uma bolsa velha da minhã mãe e enchia de quinquilharias... e tinha também o telefone velho e toda uma parafernália de objetos que representavam os objetos de um escritório.
Como professora, eu não era a professora tão linda (como a Dna. Maria Elizabeth que tinha os olhos verdes ardidos e era muito brava), mas a professora legal, bonitinha e simples, como a Dna. Rute. Eu colocava o cabelo no coque e ensinava coisas interessantes sobre o mundo para os meus alunos imaginários e sempre bem comportados.
Como veterinária, eu levava minha cachorra para passear ou passava remédio nos bichos da casa - tinha o meu consultório na varanda da frente da casa e conversava muito com os animais - acho que eu tinha um complexo de São Francisco!
Mas como cantora - ou artista - era como eu mais me expressava! Dançava fazia entrevista com as paredes, inventava novelas, cantava, cantava, cantava!
Na minha vida de gente grande, eu experimentei um pouquinho de tudo: fui professora, demi cantora, pseudo veterinária e secretária. Hoje eu trabalho como "operária moderna" - trabalho de escritório num banco americano onde as funções são bastante segmentadas e, embora seja uma prestação de serviços, é identificado como produção. Já faço isso há mais de 10 anos e não gosto nem um pouco, mas como sou imigrante, aceito o que vem em minha direção e agradeço. Mas de uns tempos para cá, por causa da economia, comecei a pensar que preciso voltar ao que a minha sabedoria inconsciente de criança me dizia - fazer algo onde eu tenha mais controle de quem sou e para onde vou! Por conta disso, desse sentimento de mudança que por vezes nos assola, comecei a pesquisar a possibilidade de voltar à educação - e, como tudo que a gente busca acaba se abrindo em caminhos, tenho até uma escola interessada em mim!
Agora tenho que transcrever os meus créditos da faculdade para ver como posso obter o certificado!
Quem sabe eu até saia cantando!?
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